Documentário Pele Verde

O documentário que retrata os índios da Amazônia.

A Amazônia, suas histórias, geografia e personagens continuam despertando interesse e sendo motivo do imaginário daqueles que habitam “o mundo chamado de civilizado”. A curiosidade sobre aqueles que são os originários das terras em que denominamos “Brasil” hoje em dia, segue como fonte de pesquisa desde especialistas que estudam e se debruçam sobre seus costumes e tradições. Até mesmo as pessoas do dia-a-dia que em um leve momento de filosofia, param e percebem a quantidade imensurável de nomes indígenas que se encontram no nosso cotidiano, como: nomes de bairros, cidades, comidas e muito mais.

Agora, juntemos a curiosidade sobre esse assunto e o interesse de alguém que tem a “curiosidade” como o DNA de seu trabalho, o que resultaria? Isso dá um filme, não é? Pois sim, isso virou um filme.

Série Documental

O renomado diretor Jorge Bodansky é o responsável por conceituar todo esse maravilhoso projeto. O documentário que virou uma série de 10 capítulos, mostra nos mínimos detalhes o cotidiano, estórias, costumes, cultura e várias outras coisas que emanam os povos indígenas de quatro comunidades selecionadas: Catuá-Ipixuna, Mamirauá, Uatumã e Uacari.

Jorge e sua equipe foram ao Amazonas captar todo esse material, através da iniciativa Amazônia Sustentável, patrocinada pelo Banco Bradesco e Governo do estado do Amazonas. Como podemos perceber pelo trailer do projeto, tudo foi feito dentro de uma grande sensibilidade estética e respeitando muito o modo que esses povos vivem. Exatamente por isso, a ideia que geriu toda a filmagem do documentário, foi algo totalmente diferente do que habitualmente vemos nos filmes em geral.

Índios com câmeras nas mãos

A maioria das filmagens que se encontram no projeto, são de autoria dos próprios índios. Ou seja, a equipe de filmagem entregou as câmeras nas mãos do próprios moradores das comunidades, afim de que eles captassem e refletissem em imagem qualquer coisa que eles bem entendessem, desde uma brincadeira, uma dança, um culto, caça ou até mesmo uma conversa e outras ações simplesmente cotidianas.

A beleza do projeto transcende os aspectos técnicos de um bom filme ou conversas politizadas sobre os índios e suas situações, quando se fornece a oportunidade deles mesmo captarem, até mesmo aproveitando de suas “incapacidades” técnicas em operar uma câmera, ou o não saber da teoria do cinema. O resultado são imagens simples, bucólicas e que são capazes de captar o real e a essência desse povo tão rico. Além disso tudo, a oportunidade em fornecer o contato para pessoas que nunca tinham visto maquinários e suas capacidades em filmar e processar uma imagem, é capaz de atingir um dos grandes momentos da humanidade: o encontro e as trocas que diferentes sociedades são capazes em levar uma para a outra.